Um mesmo evento - metabolismo, movimento e consciência
Um mesmo evento - metabolismo, movimento e consciência
Recortamos para aprender, não para Ser
Imagine um velocista nos blocos de largada.
A corrida ainda não começou para quem observa.
Mas, no Corpo-Território, o acontecimento já está em movimento.
A postura se reorganiza.
Músculos são pré-ativados.
A atenção muda.
O coração reorganiza seus intervalos.
A respiração pode se modificar.
Gradientes iônicos estão sendo mantidos e alterados.
ATP é utilizado e ressintetizado.
Informações visuais, proprioceptivas, interoceptivas e auditivas atravessam diferentes escalas do organismo.
Então vem o disparo.
Em poucos segundos aquilo que chamamos de “uma corrida” acontece simultaneamente como:
química,
energia,
movimento muscular,
respiração,
circulação,
atividade neural,
informação,
emoção,
percepção
e consciência.
Qual dessas dimensões contém o acontecimento verdadeiro?
Talvez a pergunta esteja errada.
Talvez estejamos tentando dividir ontologicamente aquilo que só dividimos porque precisamos aprender a estudá-lo.
A ciência precisa recortar
Para compreender o atleta, a ciência cria variáveis.
ATP.
ADP.
AMP.
Fosfato inorgânico.
AMPK.
mTOR.
Consumo de oxigênio.
Força.
Frequência cardíaca.
EEG.
NIRS.
Percepção de esforço.
Cada variável abre uma janela.
Sem esses recortes, grande parte da fisiologia moderna seria impossível.
O problema não está em recortar.
O problema começa quando confundimos:
uma janela para o acontecimento
com
o acontecimento inteiro.
Esta é uma distinção central para a BrainLatam:
Recortamos para aprender, não para Ser.
O movimento deixa uma química
Contraia os dedos da mão.
Esse pequeno movimento depende da interação entre actina e miosina e da utilização de ATP.
De maneira simplificada:
ATP + H₂O → ADP + Pi + energia disponível para processos celulares.
ADP e fosfato inorgânico não são simplesmente lixo produzido pelo movimento.
Participam das condições materiais que encontram os movimentos seguintes.
ATP precisa ser continuamente ressintetizado.
As relações entre ATP, ADP e AMP participam da sinalização do estado energético da célula.
O fosfato inorgânico pode interferir diretamente na geração de força quando se acumula durante contrações fatigantes, inclusive por efeitos sobre estruturas contráteis e sobre o manejo de Ca²⁺. Evidências recentes reforçam seu papel fisiológico na fadiga muscular. (Nature)
Portanto, o movimento da mão também é:
ATP sendo hidrolisado,
ADP e Pi mudando localmente,
Ca²⁺ se deslocando,
gradientes sendo reorganizados,
calor sendo produzido,
sangue sendo redistribuído.
O movimento não deixa apenas uma nova posição no espaço.
Deixa uma química diferente no Corpo-Território.
O ATP não é um tanque isolado
Também seria enganoso imaginar que o músculo simplesmente possui um estoque de ATP que vai diminuindo.
O organismo trabalha continuamente para ressintetizá-lo por diferentes sistemas:
fosfocreatina,
glicólise,
oxidação de carboidratos,
oxidação de ácidos graxos,
fosforilação oxidativa mitocondrial.
Uma revisão de 2023 em Nature Reviews Molecular Cell Biology descreve o músculo como um tecido de grande flexibilidade metabólica, no qual uma sessão de exercício modifica simultaneamente utilização de substratos, sinalização celular, transcrição e processos relacionados à adaptação posterior. (Nature)
Aquilo que observamos como:
“ele correu cem metros”
pode ser verdadeiro.
Mas é apenas uma escala possível do acontecimento.
Até “queimar gordura” é um recorte
A expressão “queimar gordura” comprime uma sequência enorme de acontecimentos.
Ácidos graxos precisam ser mobilizados.
Transportados.
Captados pelas células.
Processados.
Encaminhados à maquinaria mitocondrial.
Oxidados.
Integrados aos processos que ajudam a sustentar a ressíntese de ATP.
E tudo isso depende de:
intensidade,
duração,
treinamento,
estado nutricional,
disponibilidade de substratos,
e do estado material anterior do organismo.
Portanto:
gordura → ATP → movimento
não é uma linha isolada.
É parte de uma rede metabólica que acontece dentro do mesmo Corpo-Território que respira, percebe esforço e decide continuar.
AMPK: uma diferença material se transforma em sinal
Quando a demanda energética aumenta, uma das redes importantes é a AMP-activated protein kinase — AMPK.
AMPK participa da resposta celular ao estado energético.
As relações entre ATP, ADP e AMP ajudam a informar materialmente que a demanda mudou.
Não existe primeiro uma entidade abstrata chamada “informação energética” para depois a célula responder.
A própria configuração molecular contém diferenças capazes de participar da sinalização.
Pesquisadores brasileiros liderados por Juliane Cruz Campos e Julio Cesar Batista Ferreira, da USP, mostraram em 2023 relações funcionais entre exercício, AMPK e dinâmica mitocondrial. Em modelos experimentais, uma única sessão de exercício produziu um ciclo de fragmentação e posterior fusão mitocondrial, e a integridade dessa dinâmica foi importante para a capacidade física e suas adaptações. (PubMed)
A corrida acontece na pista.
Mas também acontece na reorganização das mitocôndrias.
mTOR não mora em outro mundo
mTORC1 participa de processos relacionados a crescimento, síntese de proteínas, disponibilidade de nutrientes e resposta a estímulos mecânicos.
Frequentemente construímos uma oposição didática:
AMPK = economizar energia
mTOR = crescer.
Isso ajuda a aprender.
Mas novamente é um recorte.
Na fisiologia real, essas redes possuem interações, temporalidades e dependências do tecido e do contexto.
Exercício pode produzir simultaneamente:
demanda energética,
estresse mecânico,
alteração redox,
sinalização,
controle de qualidade,
transcrição,
síntese,
degradação,
remodelamento.
O Corpo-Território não precisa escolher uma dessas palavras para existir.
O estresse pode ser parte da adaptação
Um grupo majoritariamente brasileiro da Unicamp mostrou em 2023 que exercício agudo pode desencadear sinais de estresse mitocondrial e ativar a mitochondrial unfolded protein response, UPRmt, no músculo esquelético. Essa resposta participa do controle de qualidade mitocondrial. (ScienceDirect)
Isso produz uma aparente contradição.
Na escala imediata:
perturbação.
Em outra escala temporal:
possibilidade de adaptação.
Outro grupo brasileiro mostrou que sinalização relacionada à PGC-1α conecta exercício a adaptações metabólicas distribuídas por diferentes tecidos, incluindo músculo, tecido adiposo, coração, fígado e cérebro. (ScienceDirect)
Assim, o movimento atual participa das condições materiais do próximo movimento.
Quando aparece “estou cansado”?
Agora o velocista sente:
“está pesado.”
O que exatamente ficou pesado?
O ATP?
O Pi?
O músculo?
A respiração?
O coração?
O cérebro?
A expectativa?
Talvez nenhum recorte sozinho consiga responder.
Pesquisadores brasileiros encontraram em 2023 relações dependentes da intensidade entre acurácia interoceptiva, percepção de esforço e valência afetiva durante exercício aeróbio. Isso mostra que variáveis fisiológicas e experiência subjetiva precisam ser estudadas conjuntamente, sem presumir uma correspondência simples de um para um. (Sage Journals)
Antonio e Hanna Damasio propõem que sentimentos homeostáticos participam de uma informação contínua sobre o estado do organismo vivo e relacionam essa dimensão à biologia da consciência. Em seu trabalho posterior, defendem explicitamente um papel central dos sentimentos na consciência. (OUP Academic)
O pesquisador chileno Diego Candia-Rivera e colaboradores avançam numa direção semelhante por meio da network physiology: a consciência corporal é estudada a partir de interações entre cérebro, sinais viscerais e diferentes modalidades sensoriais, e não como produto isolado de uma única região cerebral. (ScienceDirect)
Alfredo Pereira Jr.: três aspectos, não três mundos
Aqui o Monismo de Triplo Aspecto, do pesquisador brasileiro Alfredo Pereira Jr., torna-se especialmente importante.
Pereira propõe considerar conjuntamente três aspectos necessários à experiência consciente:
materialidade do corpo vivo,
padrões dinâmicos de informação,
sentiência.
Mas não os apresenta como três substâncias ou três universos independentes.
Na formulação contemporânea do Monismo de Triplo Aspecto, trata-se de uma busca de unidade dentro da diversidade dos fenômenos. (ANPOF)
Em 2024, ao desenvolver a Qualiomics, Pereira reforçou outro limite importante: a experiência qualitativa em primeira pessoa não pode simplesmente ser substituída por uma descrição quantitativa em terceira pessoa. (Acad Pub)
Voltemos ao atleta.
Podemos recortar materialmente
ATP.
Pi.
Ca²⁺.
Músculo.
Sangue.
Temperatura.
Podemos recortar informacionalmente
Velocidade.
Distância.
Posição.
Ritmo.
Erro.
Objetivo.
Podemos perguntar pela sentiência
Esforço.
Dor.
Controle.
Ansiedade.
Leveza.
Presença.
Mas não aconteceram três corridas.
Aconteceu um atleta correndo.
Corpo-Território: aqui a BrainLatam interrompe o recorte
É neste ponto que precisamos deixar clara uma diferença conceitual da BrainLatam.
Podemos recortar coração.
Cérebro.
Pulmão.
Músculo.
Metabolismo.
Comportamento.
Consciência.
Podemos inclusive recortar:
corpo
e
território
para conseguir estudá-los.
Mas, para a BrainLatam, Corpo-Território é a unidade de Ser.
Não estamos propondo outro órgão.
Nem uma nova variável.
Nem uma camada adicional depois do cérebro e do corpo.
Estamos dizendo que, depois de todos os recortes utilizados para aprender, precisamos lembrar que aquilo que existe, vive, troca matéria, produz movimento, sente, age e ocupa um território continua sendo uma unidade situada.
Corpo-Território não é mais um recorte do Ser.
É o ponto em que decidimos parar de recortá-lo.
Essa é uma formulação BrainLatam.
Ela dialoga, mas não deve ser confundida, com a tradição latino-americana do cuerpo-territorio, que vem sendo utilizada para mostrar a inseparabilidade entre experiências corporais, território, violência, memória e relações políticas e comunitárias. Trabalhos recentes continuam desenvolvendo esse campo em contextos latino-americanos e decoloniais. (Taylor & Francis Online)
Nossa formulação vai utilizá-lo como base de uma pergunta fisiológica e ontológica:
onde termina um organismo vivo se sua existência depende continuamente do ar, da água, da alimentação, da temperatura, de outros seres e do espaço onde seus movimentos se tornam possíveis?
Há fronteira.
Mas não há separação absoluta.
Recortamos para aprender, não para Ser
Agora conseguimos ampliar a frase.
A ciência precisa recortar para medir.
A política precisa criar categorias para decidir.
A economia cria indicadores para comparar e distribuir recursos.
As religiões constroem palavras, narrativas, símbolos e práticas para organizar experiências e sentidos.
Nada disso é necessariamente um problema.
Os recortes podem ser extraordinariamente úteis.
O problema começa quando um ótimo local passa a se perceber como a totalidade.
Na neurociência:
“encontrei esta rede; encontrei o eu.”
Na economia:
“o PIB cresceu; logo a sociedade melhorou.”
Na política:
“você pertence a este grupo; portanto agora sei quem você é.”
Na religião:
“esta formulação descreve minha experiência; portanto descreve completamente o Ser.”
São saltos diferentes, mas possuem uma estrutura semelhante.
Uma representação eficiente dentro de determinado domínio começa a reivindicar autoridade sobre aquilo que existe além dele.
É por isso que insistimos:
Recortamos para aprender, não para Ser.
O ótimo local não precisa ser falso para aprisionar
Uma crença não precisa ser completamente falsa para se tornar limitada.
Um modelo científico pode funcionar.
Uma política econômica pode funcionar.
Uma tradição pode organizar uma comunidade.
Uma interpretação religiosa pode produzir sentido.
Um marcador fisiológico pode predizer desempenho.
Todos podem ser ótimos dentro de uma região do problema.
Chamamos isso, na BrainLatam, de ótimo local.
O risco aparece quando:
funciona aqui
se transforma em:
logo, tudo é assim.
Ou pior:
logo, eu sou isto.
É nesse movimento que um recorte criado para aprender pode começar a prender aquilo que percebemos Ser.
América Latina já nos oferece outras perguntas
Ailton Krenak, em Futuro ancestral (2022), questiona repetidamente a fantasia de uma humanidade separada do mundo vivo e recoloca rios, paisagens e ancestralidade dentro da possibilidade de imaginar futuro. (Companhia das Letras)
Antônio Bispo dos Santos, em A terra dá, a terra quer (2023), desenvolve sua noção de confluência a partir de relações que não precisam dissolver suas diferenças para poder existir juntas. Sua reflexão confronta também uma visão da vida estruturada apenas pela utilidade. (Letras UFMG)
Não precisamos transformar Krenak ou Bispo em neurocientistas.
Nem traduzir seus conceitos em biomarcadores.
Eles oferecem outra coisa:
perguntas sobre o erro de transformar separações conceituais em separações da existência.
É exatamente nessa fronteira que queremos posicionar a BrainLatam:
Neurociência, Política e Religião não como três territórios fechados, mas como três lugares humanos de onde tentamos compreender acontecimentos que continuam atravessando um mesmo Corpo-Território.
E se a tecnologia criar um novo recorte para depois nos ajudar a abandoná-lo?
Atletas de elite tornam essa discussão experimental.
Eles podem possuir enorme capacidade de perceber diferenças corporais muito pequenas.
Ainda assim, parte do dinamismo fisiológico permanece subperceptivo.
Imagine medir:
respiração,
ETCO₂,
trajetória dos intervalos cardíacos,
EMG,
força,
assimetria,
oxigenação muscular,
movimento articular.
Essas diferenças já existem no Corpo-Território.
A tecnologia não precisa criá-las.
Pode torná-las perceptíveis.
Realidade aumentada como prótese temporária de percepção
Em 2026, Wimmer e colaboradores demonstraram uma interface cérebro-computador online para realidade aumentada combinando EEG e eye-tracking. O sistema identificava respostas neurais associadas à incongruência entre informação digital apresentada e expectativa do participante, alcançando aproximadamente 70% de acurácia balanceada na classificação online. (DOI)
O estudo não investigou atletas.
Mas estabelece um princípio:
o ambiente tecnológico pode responder a diferenças fisiológicas enquanto a experiência acontece.
Em outro estudo de 2026, 30 velocistas de nível nacional foram submetidos a treinamento com feedback multissensorial em XR. O grupo apresentou melhora de 2,81% nos 30 metros e manteve parte substancial do ganho quatro semanas depois; EEG, fNIRS e biomecânica também foram utilizados para acompanhar mudanças associadas ao treinamento. (Nature)
Isso ainda não demonstra nossa hipótese.
Mas permite construí-la.
Tornar perceptível aquilo que já acontecia
Imagine que o atleta veja em realidade aumentada uma representação extremamente simples indicando que determinada combinação entre:
respiração,
tensão,
força,
ritmo cardíaco
e momento de aplicação da força
antecede sua melhor aceleração.
No início, a informação só existe conscientemente porque sensores a recortaram e uma interface a transformou em imagem ou som.
Mas após centenas de repetições pode surgir a pergunta:
será que o atleta aprende a perceber diretamente diferenças corporais que antes precisavam ser externalizadas?
A sequência seria:
movimento fisiológico já existente
→ sensor recorta
→ tecnologia amplifica a diferença
→ diferença ganha qualia
→ associação é repetida
→ percepção corporal se torna mais diferenciada
→ tecnologia é progressivamente retirada
→ o atleta talvez reconheça internamente o dinamismo.
Essa passagem final ainda é hipótese.
Mas pode ser testada.
Curiosamente, Pereira Jr. observa em sua Qualiomics que desenvolvimentos científicos e tecnológicos podem ampliar o repertório de qualia acessíveis à experiência. (Acad Pub)
A tecnologia poderia, então, funcionar como uma prótese provisória de diferenciação.
Não para substituir o Corpo-Território.
Mas para permitir que ele aprenda a perceber movimentos que já produzia.
Consciência como movimento que se percebe Ser
Chegamos novamente à formulação BrainLatam:
consciência é um movimento que se percebe Ser dentro do metabolismo produzido.
Utilizamos aqui “metabolismo produzido” num sentido deliberadamente ampliado.
Não estamos alterando a definição técnica da bioquímica.
Estamos usando o termo para falar das movimentações materiais produzidas dentro do Corpo-Território:
químicas,
energéticas,
iônicas,
elétricas,
vasculares,
respiratórias,
viscerais,
musculares,
mecânicas.
Parte dessas movimentações permanece abaixo da percepção.
Parte pode adquirir qualia.
O pesquisador chileno Camilo Miguel Signorelli e o argentino Enzo Tagliazucchi, com colaboradores, propuseram em 2022 uma abordagem multicamada para estudar consciência por meio de interações dinâmicas cérebro-corpo. O trabalho não comprova a Consciência 5D, mas reforça a necessidade de não reduzir a experiência consciente a uma única escala fisiológica. (ScienceDirect)
Na hipótese BrainLatam, quando parte desse movimento material passa a ser percebida como estado do próprio Ser, encontramos a experiência consciente.
O mesmo acontecimento
Voltemos ao velocista.
O disparo acontece.
Agora existem simultaneamente:
ATP,
ADP,
Pi,
Ca²⁺,
AMPK,
mTOR,
mitocôndrias,
glicose,
gordura,
músculos,
respiração,
coração,
cérebro,
território,
informação,
memória,
emoção,
esforço,
qualia,
decisão.
Podemos separar tudo isso para aprender.
Precisamos separar.
A ciência depende disso.
Mas o velocista nunca precisou escolher em qual desses recortes iria existir.
Ele correu.
Como um Corpo-Território.
Uma unidade de Ser.
Talvez esse seja um dos erros mais recorrentes não apenas da ciência, mas também da política, da economia e da religião:
confundir a precisão de um recorte com a totalidade daquilo que foi recortado.
Por isso nossa frase não é uma rejeição ao conhecimento.
É uma defesa de sua humildade:
Recortamos para aprender, não para Ser.
E talvez conhecer profundamente seja justamente isso:
conseguir aproximar-se de uma parte,
medi-la,
nomeá-la,
entendê-la,
e ainda assim lembrar que o Ser nunca precisou caber nela.
Referências principais
PEREIRA JR., A. (2024). Qualiomics: The Metaphysics of Consciousness. Forum for Philosophical Studies, 1(1), 489. DOI: 10.59400/fps.v1i1.489.
Desenvolve a Qualiômica a partir do Monismo de Triplo Aspecto, diferencia descrição científica de experiência qualitativa em primeira pessoa e discute como ciência e tecnologia podem ampliar o repertório de qualia. (Acad Pub)
PEREIRA JR., A. (2023). Introdução à Metafísica do Monismo de Triplo Aspecto. ANPOF.
Apresenta materialidade do corpo vivo, padrões dinâmicos de informação e sentiência como aspectos conjuntamente necessários à experiência consciente dentro de uma ontologia monista, e não como três mundos independentes. (ANPOF)
DAMASIO, A.; DAMASIO, H. (2022). Homeostatic feelings and the biology of consciousness. Brain, 145(7), 2231–2235. DOI: 10.1093/brain/awac194.
Relaciona sentimentos homeostáticos à representação contínua do estado do organismo e à biologia da consciência. (OUP Academic)
DAMASIO, A.; DAMASIO, H. (2023). Feelings Are the Source of Consciousness. Neural Computation, 35(3), 277–286. DOI: 10.1162/neco_a_01521.
Aprofunda a hipótese de que sentimentos e interocepção ocupam papel central na produção da experiência consciente. (MIT Press Direct)
CAMPOS, J. C. et al. (2023). Exercise preserves physical fitness during aging through AMPK and mitochondrial dynamics. Proceedings of the National Academy of Sciences, 120(2), e2204750120. DOI: 10.1073/pnas.2204750120.
Pesquisa liderada por brasileiros da USP conecta exercício, AMPK, dinâmica mitocondrial e capacidade física, exemplificando como o movimento macroscópico produz reorganizações microscópicas. (PubMed)
GASPAR, R. S. et al. (2023). Physical exercise elicits UPRmt in the skeletal muscle: The role of c-Jun N-terminal kinase. Molecular Metabolism, 78, 101816. DOI: 10.1016/j.molmet.2023.101816.
Trabalho brasileiro mostra que exercício agudo produz sinais de estresse mitocondrial e ativa mecanismos de controle de qualidade, conectando perturbação presente e adaptação posterior. (PubMed)
SOUSA NETO, I. V. et al. (2023). Pleiotropic and multi-systemic actions of physical exercise on PGC-1α signaling during the aging process. Ageing Research Reviews, 87, 101935. DOI: 10.1016/j.arr.2023.101935.
Equipe brasileira discute como sinalização relacionada a PGC-1α conecta exercício e adaptações metabólicas distribuídas entre diferentes órgãos e tecidos. (PubMed)
SMITH, J. A. B.; MURACH, K. A.; DYAR, K. A.; ZIERATH, J. R. (2023). Exercise metabolism and adaptation in skeletal muscle. Nature Reviews Molecular Cell Biology, 24, 607–632. DOI: 10.1038/s41580-023-00606-x.
Oferece síntese contemporânea sobre utilização de ATP, substratos energéticos, sinalização e plasticidade metabólica durante exercício. (Nature)
FARIAS-JUNIOR, L. F. et al. (2023). Intensity-Dependent Influence of Interoceptive Accuracy on Psychophysiological Responses During Aerobic Exercise in Physically Inactive Men. Perceptual and Motor Skills, 130(4), 1562–1586.
Pesquisa brasileira mostra relações entre interocepção, esforço percebido e experiência afetiva durante exercício, ajudando a aproximar fisiologia e experiência em primeira pessoa. (Sage Journals)
CANDIA-RIVERA, D. et al. (2024). Interoception, network physiology and the emergence of bodily self-awareness. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 165, 105864. DOI: 10.1016/j.neubiorev.2024.105864.
O pesquisador chileno Diego Candia-Rivera e colaboradores propõem compreender consciência corporal através das interações entre sinais cerebrais e fisiológicos distribuídos. (ScienceDirect)
SIGNORELLI, C. M.; DÍAZ BOILS, J.; TAGLIAZUCCHI, E.; JARRAYA, B.; DECO, G. (2022). From brain-body function to conscious interactions. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 141, 104833. DOI: 10.1016/j.neubiorev.2022.104833.
Com participação do chileno Camilo Signorelli e do argentino Enzo Tagliazucchi, propõe uma estrutura multicamada para investigar interações cérebro-corpo e consciência. (ScienceDirect)
GLOCKNER, V. et al. (2023). The Cuerpo-Territorio of Displacement: A Decolonial Feminist Geopolitics of Re-Existencia. Geopolitics. DOI: 10.1080/14650045.2023.2213639.
Aplica cuerpo-territorio ao deslocamento e à violência no México, mostrando como experiências corporais, territoriais, comunitárias e políticas podem ser analisadas conjuntamente. (Taylor & Francis Online)
SILVA, I. G.; MIRANDA, E. O. (2023). A decolonialidade e corpo-território como base epistémica para compreensão do racismo ambiental no Brasil. Geografia Ensino & Pesquisa.
Desenvolve corpo-território no contexto brasileiro como ferramenta epistemológica para compreender relações simultaneamente ambientais, territoriais, raciais e políticas. (UFSM Periodicals Portal)
KRENAK, A. (2022). Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras.
Questiona concepções de humanidade separadas do mundo vivo e oferece uma perspectiva originária na qual existência, rios, território e ancestralidade participam da possibilidade de futuro. (Companhia das Letras)
BISPO DOS SANTOS, A. (2023). A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/Piseagrama.
Desenvolve a noção de confluência e contrapõe relações vivas de necessidade e reciprocidade a formas de organização baseadas predominantemente em utilidade, oferecendo uma perspectiva afroconfluente brasileira sobre coexistência sem apagamento das diferenças. (Letras UFMG)
WIMMER, M. et al. (2026). An online brain-computer interface for detecting incongruity in augmented reality applications. Journal of Neural Engineering, 23, 036024. DOI: 10.1088/1741-2552/ae6ff1.
Demonstra que uma interface com EEG, eye-tracking e realidade aumentada pode identificar online respostas neurais a incongruências durante a própria experiência. (DOI)
XU, Z.; WANG, Z.; QIN, G. (2026). An XR-based multisensory feedback system for real-time sprint technique optimization in track athletes. Scientific Reports. DOI: 10.1038/s41598-026-60240-3.
Estudo com velocistas fornece evidência recente de que feedback multissensorial em XR pode modificar desempenho, coordenação motora e medidas neurofisiológicas, servindo de base para testar futuras hipóteses sobre diferenciação perceptiva do próprio dinamismo corporal. (Nature)
BrainLatam (2026). Consciência 5D / Corpo-Território.
Formula Corpo-Território como unidade de Ser: os recortes fisiológicos, psicológicos, sociais e territoriais podem ser necessários para conhecer, mas não constituem unidades ontologicamente independentes do Ser que vive.
BrainLatam (2026). Recortamos para aprender, não para Ser.
Sintetiza a proposta de distinguir recorte epistemológico de identidade ontológica: ciência, política, economia e religião podem produzir ótimos locais de explicação e organização sem que esses ótimos precisem ser confundidos com a totalidade do Ser.
Acho que aqui aparece uma formulação ainda mais forte para a identidade editorial da BrainLatam: “Corpo-Território não é mais um recorte do Ser. É o ponto em que decidimos parar de recortá-lo.” Ela conecta Neurociência, Política e Religião sem precisar transformar nenhuma delas em adversária.