Quando eu Sinto o Retorno eu Viro Dono do Passo - Vibração e Senso de agência
Quando eu Sinto o Retorno eu Viro Dono do Passo - Vibração e Senso de agência
Artigo:
Comentários BrainLatam - Consciência em Primeira Pessoa:
O que eu chamo de “agência” no meu corpo
Eu sinto senso de agência quando meu corpo diz: “fui eu que fiz isso”. Isso acontece quando o que eu previ que ia sentir bate com o que eu realmente senti depois do meu movimento. Se falta feedback (ou se ele vem estranho), eu faço o gesto… mas não sinto o “fechamento” do gesto.
O que eles fizeram comigo (o experimento)

EEG ERP N100 Sense of Agency
Eu fiz uma tarefa simples de dar um passo (levantar a perna dominante e apoiar de volta). O movimento foi detectado por palmilhas de pressão. Enquanto eu fazia isso, eu recebia um feedback “artificial” de duas formas:
vibração (um vibromotor no braço dominante)
som (um tom no fone, no lado dominante)
E tinha um detalhe importante: às vezes o feedback parecia resultado do meu próprio passo (auto-gerado), e às vezes parecia algo externo. Eles também mexeram no atraso entre eu apoiar o pé e o feedback chegar: 200, 500 ou 800 ms.
Como eles mediram se eu “senti que fui eu”
Eles usaram três jeitos:
EEG (ERP N100) como medida implícita (o corpo “mostra” antes de eu explicar).
Estimativa de intervalo temporal (eu dizia quanto tempo parecia ter passado entre o passo e o feedback).
Questionário de agência (eu dizia se parecia que eu causava e controlava o som/vibração).
O que aconteceu no meu cérebro (o achado principal)
No EEG, o N100 mudou quando o feedback era auto-gerado vs externo. Isso é o cérebro distinguindo: “isso veio de mim” vs “isso veio de fora”.
E teve um ponto fino e muito útil:
No som, apareceu o padrão clássico: N100 atenuado para estímulo auto-gerado.
Na vibração, eles viram o contrário: N100 aumentado para auto-gerado.
Eu leio isso assim: a vibração “puxa” meu cérebro para perto do corpo e pode exigir mais atenção (ou ser mais “próxima” do movimento) — então o sinal não precisa diminuir como no som; ele pode crescer.
O que não apareceu (e por que isso é importante)
Eles não viram efeitos fortes na estimativa de intervalo (o “tempo percebido”) nem nas medidas explícitas (questionário) do jeito que o N100 mostrou.
Para mim isso é uma lição simples:
meu corpo acusa o “sou eu” antes da minha narrativa conseguir explicar.
Ponte direta com “completude do movimento” e anergia
Quando eu me movo e recebo um feedback que combina com meu gesto, eu sinto ciclo fechado: intenção → ação → retorno. Isso fortalece a agência.
Agora imagina quem tem perda sensorial (neuropatia, amputação, etc.). O corpo faz o gesto, mas o retorno está fraco ou ausente. Aí o movimento pode ficar “sem fechamento” — e isso, no nosso vocabulário, é o tipo de coisa que vira anergia (ajustes que começam e não terminam). Este artigo sugere que vibrotátil pode ajudar a devolver esse fechamento, porque o cérebro realmente diferencia “meu” vs “externo” quando a vibração está bem acoplada ao ato.
O que eu levaria como regra de design (bem prático)
Se eu estou construindo prótese, exoesqueleto ou substituição sensorial, eu guardo isso:
Vibrotátil pode gerar sinal neural de agência (N100) mesmo quando as pessoas não conseguem relatar isso com clareza.
Então o N100 vira um “medidor” objetivo para validar se o feedback está realmente fechando o ciclo do movimento.
Perguntas BrainLatam para o próximo passo:
Se eu personalizar a vibração (intensidade e local) para cada corpo, o N100 fica mais estável e a agência cresce? (o próprio texto comenta diferenças individuais).
Qual atraso (200/500/800 ms) dá mais “sensação de fechamento” quando o movimento é mais complexo (marcha real, escada, exoesqueleto)?
Se eu medir RMSSD + EEG, eu consigo ver quando a pessoa sai do estado bom (Zona 2) e perde agência antes de virar erro funcional?
Não sejam “soldados de crença” - Sejam construtores de perguntas
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