Gamma tACS domiciliar no Alzheimer: a pergunta, o experimento e por que ele responde — comentário sobre Cantoni, Casula, Tarantino et al. (JAMA Network Open, 2025)
Gamma tACS domiciliar no Alzheimer: a pergunta, o experimento e por que ele responde — comentário sobre Cantoni, Casula, Tarantino et al. (JAMA Network Open, 2025)
1) A pergunta científica (e nossa crítica positiva)
A pergunta central é direta e bem formulada: “Gamma–tACS sobre o precuneus funciona — com segurança e eficácia — em um cenário domiciliar para Alzheimer prodrômico ou leve?”
Nós gostamos dessa pergunta por dois motivos:
ela é clínica e operacional (home-based, escalável), e
ela obriga o estudo a mostrar engajamento biológico, não só mudança em teste cognitivo.

Home-Based Gamma Transcranial Alternating Current Stimulation in Patients With Alzheimer Disease
2) O experimento (como eles tentam forçar a resposta)
Para responder, os autores desenham um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por sham, seguido por extensão open-label:
n=50 com Alzheimer prodrômico ou leve, randomizados para gamma tACS domiciliar vs sham por 8 semanas (5 sessões/semana, 60 min).
Depois, todos recebem gamma tACS por mais 8 semanas (open-label) e há follow-up de 8 semanas.
Desfechos incluem: segurança/aderência, clínica (CDR-SB, ADAS-Cog-13, ADCS-ADL, FNAT) e “biologia” via EEG (gamma power), TMS-SAI como medida indireta de função colinérgica, biomarcadores plasmáticos e conectividade por MRI (subgrupo).
3) Por que esse experimento responde a pergunta (lógica causal)
Nós vemos coerência causal em três camadas:
Se a pergunta é “funciona em casa?”, então o estudo mede feasibility real: alta aderência, baixa carga ao cuidador e tolerabilidade. Isso responde diretamente a parte “home-based”.
Se a pergunta é “é eficaz clinicamente?”, eles usam escalas que capturam gravidade global, cognição e funcionalidade diária, além de memória associativa. Na fase randomizada, o grupo tACS melhora nessas medidas vs sham.
Se a pergunta é “isso é só placebo ou há engajamento cerebral?”, eles buscam “ponte biológica”:
aumento de potência em gama no EEG após tACS e
melhora em SAI (TMS) como marcador indireto colinérgico, sem efeito semelhante no sham.
Isso torna a eficácia mais interpretável do que um RCT “só de testes”.
4) Leitura BrainLatam — APUS (propriocepção estendida)
Nós interpretamos “gamma” aqui como uma tentativa de restaurar ritmos de coordenação — uma forma de o corpo recuperar fluidez de organização para operar tarefas (ainda que o alvo seja cognitivo).
Mesmo sem medir movimento diretamente, escolher precuneus (hub) é uma forma de mirar o “mapa” que sustenta orientação, integração e coerência interna.
5) Leitura BrainLatam — Tekoha (interocepção estendida)
Nós gostamos do uso de SAI como ponte para a hipótese colinérgica: Alzheimer não é só memória “mental”, é regulação interna de redes. Quando o estudo mostra mudança em SAI junto com ganhos funcionais, nós lemos isso como sinal de que o sistema tentou recuperar capacidade regulatória — não apenas “treinar desempenho”.
6) Crítica positiva (limites que abrem caminho)
O desenho open-label ajuda acesso/ética, mas diminui contraste depois; o “platô” em quem já tratou pode ser teto terapêutico ou necessidade de outros parâmetros.
A ausência de mudanças em biomarcadores plasmáticos sugere que o efeito pode ser mais funcional/sistêmico do que “disease-modifying” em 8–16 semanas — e isso é útil para calibrar expectativas.
Falta ainda responder: quem responde melhor (fenótipos, genética, estágio, rede basal), e qual é o mecanismo dominante (entrainment vs colinérgico vs ambos).
7) Tradução BrainLatam para o mundo orgânico
Tradução BrainLatam para o mundo orgânico: nós entendemos este estudo como evidência de que uma intervenção neuromodulatória pode ser viável em casa e ainda assim produzir sinais de engajamento cerebral (EEG/TMS) junto com melhora clínica mensurável. O valor aqui é padronizar um caminho em que “melhora” vem acompanhada de “o corpo mostrou que mudou”.
8) Pergunta aberta BrainLatam
Se o objetivo é tratamento sustentável, qual é o marcador mínimo que nos permite ajustar dose/duração em tempo real (gamma EEG? SAI? perfil cognitivo?) e, principalmente, prever resposta antes de 8 semanas?
O corpo não precisa de crença para funcionar.
Ele precisa de espaço, movimento e regulação.
Ref.:
Cantoni, V., Casula, E. P., Tarantino, B., Chiara Cupidi, Huber, N., Altomare, D., Enrico Premi, Zummo, E., Esposito, R., Leonardi, C., Sanna-Kaisa Herukka, Eino Solje, Ferrari, A., Cotelli, M. S., Gasparotti, R., Martorana, A., Fracassi, C., Emiliano Santarnecchi, Koch, G., & Annakaisa Haapasalo. (2025). Home-Based Gamma Transcranial Alternating Current Stimulation in Patients With Alzheimer Disease. JAMA Network Open, 8(12), e2546556–e2546556. https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2025.46556
Jiwasa – Aprender y Enseñar dentro de un Yo Colectivo
Jiwasa – Learning and Teaching within a Collective Self
Jiwasa – Aprendendo e Ensinando num Eu Coletivo
IRDA/IRTA en reposo: qué “encienden” y “apagan” los eventos lentos del EEG en el BOLD
IRDA IRTA at rest - what slow EEG events turn on and turn off in BOLD
IRDA IRTA em repouso - o que o EEG lento acende e apaga no BOLD
Respiración derivada del ECG para explicar fluctuaciones BOLD en reposo y modulaciones respiratorias
ECG-derived respiration to explain resting-state BOLD fluctuations and respiratory modulations
Respiração derivada do ECG para explicar flutuações BOLD em repouso e desafios respiratórios
Los ganglios basales como objetivo de neurofeedback motor por fMRI en la enfermedad de Parkinson
Basal Ganglia as an fMRI Motor Neurofeedback Target in Parkinson’s Disease
Gânglios da base como alvo de neurofeedback motor por fMRI no Parkinson
Mecanismos subyacentes de las respuestas de discrepancia visual – Un estudio con EEG–fMRI
Underlying Mechanisms of Visual Mismatch Responses – An EEG–fMRI Study
Mecanismos subjacentes das respostas de incompatibilidade visual – Um estudo com EEG-fMRI
Videojuegos frecuentes y memoria de trabajo: qué cambia en delta, theta y alfa del EEG
Frequent Video Gaming and Working Memory: What Changes in Delta, Theta, and Alpha EEG
Jogos frequentes e memória: o que muda no delta, theta e alfa do EEG
HDBR y la ISS: qué son y por qué importan en la investigación neurocientífica
HDBR and ISS: What They Are and Why They Matter in Neuroscience Research
tACS gamma domiciliaria en la enfermedad de Alzheimer
Atención, P300 y carga mental en el Flow: análisis del estudio “Shielding the Mind With Flow”
Attention, P300, and Workload in Flow: An Analysis of the Study “Shielding the Mind With Flow”
Atenção, P300 e workload no Flow: análise do estudo “Shielding the Mind With Flow”

EEG ERP fMRI NIRS fNIRS Hyperscanning
BrainLatam Decolonial Commentary
#BrainLatam
#Decolonial
#Neuroscience
#BrainResearch
#EEG
#ERP
#fNIRS
#NIRS
#fMRI
#Hyperscanning
#SocialNeuroscience
#DecolonialScience
#DREXcidadão
#PIX
#DREX